O Parque da Gente

Blog Acadêmico com intuito de abordar e informar sobre o cotidiano apresentado pelo Parque Municipal Américo Renné Giannetti, localizado na região central de Belo Horizonte/MG.

“Um rio passou dentro de mim, que eu não tive jeito de atravessar…”

Carlos Alberto de Aquino

Nascente do Hemominas possui uma vazão de 100.000 litros/dia e se tornou a principal fonte a abastecer as três lagoas do Parque Municipal Américo Renné Gianetti

Por Ana Paula Gonzaga

É fácil se habituar com a desvalorização dos meios naturais diante do cenário ‘cinza’ e  corriqueiro da cidade. Desta maneira,  é inevitável o sentimento de surpresa ao descobrir uma nascente principal, com a capacidade de abastecer as três grandes lagoas do Parque Municipal. A preservação da nascente desde o ano de 1897, que fornece 100.000 litros de águas cristalinas por dia, se tornou sinônimo de atração para os visitantes do local. A canalização da nascente, ainda possibilitou a construção de duas cascatas naturais na área de lazer situado no centro da capital mineira.

“Belo Horizonte possui muitas nascentes. Algumas só reaparecem em períodos pluviais. Mas a nascente do Hemominas é a única a nos fornecer tantos litros ao dia, com a capacidade de sustentar as três lagoas do parque.” orienta a Bióloga do Parque, Andrea Paiva de Oliveira. A nascente caudalosa deixa o Parque em destaque pelo seu potencial biótico e aquífero.

O Parque possui três lagoas que são alimentadas diariamente pela nascente do Hemominas, onde posteriormente são direcionadas ao Ribeirão Arrudas, rio que recebe ainda as águas do córrego “Acaba Mundo”. “A nascente corta pelo parque inteiro. Em ambientes onde não possui muitos visitantes ou transeuntes; é possível escutar o barulho dela correndo, que ecoa pelas bocas de lobo.” destaca Andrea.

Pela região central da cidade de Belo Horizonte ser bem aquífera, com intuito de manter o cuidado com as nascentes locais, foi desenvolvido o projeto urbano “Valorização das Nascentes Urbanas”. Projeto Hidroambiental que visa evidenciar para a população a importância de preservar os aspectos naturais nos meios urbanos. Estão sendo cadastrados o mapeamento das nascentes existentes e seus devidos responsáveis nomeados de ‘Cuidadores da Nascente’ – pessoas que estarão próximas; para acompanhar o desenvolvimento das nascentes.

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IMG_4823 IMG_4688 IMG_4689 IMG_4840Fotografias por Ana Paula Gonzaga –  Registros da nascente principal e algumas lagoas do Parque Municipal.

Ele está de volta!

O teatro Francisco Nunes foi inaugurado na década de 1950, por meio do prefeito de Belo Horizonte, Otacílio Negrão de Lima.

 

Por Natália Fernandes

Fechado para reformas desde 2009, o Teatro Francisco Nunes está de cara nova. Diversas atrações culturais no Parque Municipal, onde o teatro está localizado, são aguardadas pelos amantes peças teatrais e festivais de música e de dança, na capital mineira.

A estrutura foi restaurada e está mais moderna. A peça “Prazer”, da companhia Luna Lunera, marcou a volta das apresentações no teatro, no último dia 06 de maio. O Chico Nunes, como é popularmente conhecido, agora possui 543 poltronas para acomodar o seu público e já recebe o Festival Internacional de Teatro Palco e Rua – o FIT BH, por meio da Fundação Municipal de Cultura e com atrações gratuitas para várias idades.

Pelo menos duas peças estão confirmadas para marcar presença no teatro Francisco Nunes. Segundo a Belotur, a partir de hoje, a comédia alemã “Es saght mir nichts, das sogenannte Drauben/ The so-called outside means nothing to me estreia e fica em cartaz até amanhã. A peça Concertos para Bebês estreia na semana que vem, no próximo dia 25 de maio.

francisco nunes antes e depois

francisco nunes depois000 francisco nunes depois00 francisco nunes depois0 francisco nunes depois1 francisco nunes depois2 francisco nunes depois3Fotografias por Natália Fernandes – Antes e depois da reforma e reestreia do Teatro Francisco Nunes

” A minha família, para servir a sua família!”

Por Natália Fernandes

Dn. MárciaFoto por Natália Fernandes – Dn. Márcia de Paula recebe e atende com alegria seus clientes que visitam o Parque Municipal

Servindo a sua família, Dona Márcia de Paula trabalha como vendedora de pipoca e plarinês de coco e amendoim no Parque Municipal, no centro de Belo Horizonte. Márcia foi convidada para trabalhar no Parque quando tinha 12 anos. Um amigo de sua mãe foi quem a chamou para passar seus quase 50 anos como funcionária do “Pulmão de Belo Horizonte”.

Casos de superação evidenciam a história da pipoqueira. Há algum tempo, ela teve um câncer que começou com uma áfita na boca . Segundo Márcia, por meio de cirurgia, ela fez um esvaziamento cervical e precisou retirar um pedaço de sua língua. Com 15 dias, Márcia retorna ao Parque e sempre repete a frase que acabou se tornando uma marca registrada: “A minha família, para servir a sua família!”

A filha de Dona Márcia é formada há mais de 10 anos em Psico pedagogia, graças aos serviços como pipoqueira no Parque Municipal. Márcia afirma que sua filha se esforçou muito e que com muita luta, elas conseguiram superar e garantir uma trajetória diferente, a dos estudos.

Não que trabalhar no Parque seja desmerecedor, mas sua filha pôde ter acesso à educação fundamental e médio, na escola municipal Imaco, antigamente situado no Parque Municipal e posteriormente ao ensino superior. Márcia tem vários clientes fiéis, graças à sua simpatia. Na maioria das vezes, ela fica na portaria que dá acesso à Alameda Ezequiel Dias, com o seu carrinho de pipoca pronta para atender os seus fregueses!

Trabalhos durante a Copa

“Hello! Vocês aceitam um Popcorn? Coconut?” É o que diz a pipoqueira quando o assunto é a Copa do Mundo 2014, em Belo Horizonte: “Estou bem preparada psicologicamente para receber os turistas, com muito carinho! Eu ainda estou no achismo, mas se não der a gente faz na mímica, mesmo!”

Um Parque com muitas curiosidades

Por Juliana Bueno e Tatiane Gomes

***Até o ano de 2.013 havia no Parque, doação de jaca. Os interessados se inscreviam e depois de serem avisados via telefone, iam receber o fruto. A exceção para obtenção da fruta fora do prazo previsto era somente para gestantes e enfermos. As 23 jaqueiras produzem frutos de janeiro até meados de abril. Já chegou a ter 650 inscrições de interessados na fruta. Como a demanda estava maior que a oferta, o parque encerrou as doações de jaca.

***Outra curiosidade do Parque municipal é o chafariz Bebedouro dos Burros. Esse chafariz virou um monumento no parque. Esse local era utilizado para matar a sede dos animais que passavam pela chácara, conduzidos por tropeiros, que viajavam por essas bandas.

IMG_4797Foto por Ana Paula Gonzaga – Fonte dos Burros

 

***A réplica da escultura de uma mulher com asas, representando a Vitória de Samotrácia, foi trazida para o parque e fica em uma das diversas praças existentes lá. O original da estátua fica no museu do Louvre, em Paris. A réplica tem 3,5 m de altura. Ela foi remontada em 1.864, pois ela se partiu em 180 pedaços. A escultura foi criada no ano de 190 a. c e ficava em um navio de guerra, com o intuito de comemorar a vitória em uma batalha.

IMG_4783Foto por Ana Paula Gonzaga – A estátua Vitória de Samotrácia

 

***O parque Municipal por ser público, foi destituído das grades que o cercavam, no ano de 1941, tendo seu gradil doado para cercar o cemitério da Saudade. Essa medida foi tomada pelo então prefeito da cidade, Juscelino Kubitschek. Essa medida fez com que o parque que já estava maltratado e mal iluminado, fosse visto como um lugar perigoso, um lugar cheio de malfeitores. Apesar da contrariedade de alguns paisagistas, o parque foi gradeado novamente.

***As estátuas, monumentos e bustos estão espalhadas por todo o parque. Uma curiosidade é a Praça dos Fundadores que fica próxima á área administrativa do parque e da Alameda Ezequiel Dias. No local existem quatro esfinges de idealizadores e fundadores da cidade. Aarão Reis (planejou), ( Augusto de Lima(idealizou), Afonso Pena (Oficializou) e Bias Fortes (instalou). Nesse local foi enterrada uma urna , no centenário da cidade, com mensagens e documentos, que deverá ser aberta em 2097.

“Tênis é tempo de quadra”, diz encordoador

Por Natália Fernandes

Fazer “tramoias” na quadra de tênis, para os jogadores se darem bem, estava se tornando um hábito. Não era nas partidas, mas sim, no horário reservado para jogar no Parque Municipal. Para ficar horas se divertindo com a sua dupla, um jogador marcava uma hora e dizia que seu companheiro ia chegar, porém o companheiro já estava na quadra esperando para a partida começar. A fim de praticar o esporte favorito, por muito tempo ao dia, o parceiro nas partidas, ia na administração do Parque e marcava para a dupla novamente. Chegavam a jogar umas quatro horas seguidas!

Ocorria mais ou menos assim. Quando a quadra de tênis no Parque Municipal começou a funcionar, e há um ano atrás, duplas iam e ficavam por horas praticando o esporte que não é muito comum em áreas públicas em Belo Horizonte. O Parque Municipal é o único que tem uma quadra de tênis para os amantes do esporte praticarem.

O holandês Coen Merkenhof e seu amigo/dupla Carlos Michael, treinam na quadra há uns sete meses, período em que Merkenhof está no Brasil. Eles acreditam que a quadra no Parque Municipal é um dos poucos lugares que permite a acessibilidade do tênis. “A popularização do esporte devia ser maior. Mas, não adianta querer que eu jogue tênis se não tem quadras para eu praticar, “ afirma Michael.

1Foto por Natália Fernandes – da esquerda para direita: Os tenistas que treinam no Parque Municipal, o holandês Coen Merkenhof e seu amigo mineiro Carlos Michael

 

É possível encontrar diversos clubes, academias e áreas de lazer em condomínios fechados. Porém, todos é necessário um pagamento de mensalidade ou anuidade. Os preços variam de 60 reais por dupla a 30 mil, em grandes clubes para os associados. Segundo Merkenhof, em Amsterdã, tem mais de três quadras públicas para tenistas e quem queiram se inserir no mundo do tênis. “O clima aqui no Brasil, também facilita o meu treinamento no Parque, pois, na Holanda tem seis meses de chuva e é muito frio e não se tem muitos parques, como aqui. Aproveito o clima para praticar o meu esporte preferido,” declara o holandês.

O encordoador de 39 anos, Mário Dias, frequenta a quadra de tênis e afirma que o Parque Municipal lhe traz muitas vantagens. Além de se considerar um profissional em encordoar as raquetes dos tenistas na quadra, Dias aproveita algumas horas de tempo livre para praticar o seu esporte favorito e aprecia a natureza do Parque. “Conheci a quadra de tênis daqui, tem muito tempo, mas a frequento há um ano. Venho praticamente todos os dias porque os meus clientes estão todos aqui. Aproveito uma brechinha e bato uma bola. Tênis é tempo de quadra,“ confirma.

Merkenhof e Michael são clientes de Dias e sempre recorrem ao encordoador quando há algum problema na raquete ou precisam de bolinhas de tênis para o jogo recomeçar.

A quadra de tênis atende a população no mesmo horário de funcionamento do Parque Municipal, porém é necessário agendar o horário com a sua dupla, para evitar “tramoias”. A dupla utiliza suas raquetes e bolinhas. Apenas o espaço é cedido para a praticar e treinar. O último horário é a partir das 16 horas para ajudar na organização do espaço que fecha às 18 horas. O encordoador Dias admite que agora é possível praticar o tênis na quadra, de maneira justa. Sendo que, todos podem utilizar o espaço e ter acesso ao esporte.

2 3Fotografias por Natália Fernandes – Os tenistas em ação no Parque Municipal

 

*** Enquanto adultos se divertem nas quadras, as crianças se divertem nos brinquedos do Parque:

Visitantes do Parque

Entrevista – A visão do espaço urbano pelos estrangeiros que estão visitando a cidade de Belo Horizonte

Entrevistas realizadas por Ana Paula Gonzaga e Juliana Bueno

O Parque Municipal é visitado por pessoas de várias partes do Brasil e atualmente também por estrangeiros. Aqui temos uma pequena entrevista com o Dentista Argentino Federico Labanti, 28 e com o estudante de Sociologia Colombiano Julian F. Rivera.

 

P.G: Federico, você está gostando de sua estadia no Brasil?

F.L: Bom, estou no Brasil para intercâmbio. Não vim para copa, mas estou gostando de participar desse fervor da população, com o evento. Mesmo alguns sendo a favor e outros contra, eu consegui ver como é realmente o país e formar minha própria opinião. Estou gostando bastante de conhecer Belo Horizonte e seus espaços, já que sempre estou caminhando pela cidade.

P.G: Quais lugares você já visitou?

F.L: Já visitei alguns museus que tem próximo à Praça da Liberdade e alguns lugares para visitação, como serras e parques. Pela noite saio bastante com meus amigos, estou conhecendo a vida noturna de BH também.

P.G: Você sempre vem ao Parque Municipal?

F.L: Sim,sim, sempre venho e já caminhei por ele todo. É uma parte bem bonita de Belo Horizonte. Tranquilo para se caminhar, para tocar um violão, para desenvolver leitura e tranquilo para tomar meu Mate Argentina, que  inclusive já está acabando.

P.G: Federico, o que você mais gostou e o que menos gostou do Parque Municipal?

F.L: O que mais gostei são esses pastitos verdes onde se pode sentar ao ar livre para tomar sol e variar. Já as águas da lagoa poderiam ser brancas (transparentes). Por que são verdes? Não entendo, dá a impressão de que estão sujas, mas vistas de longe as lagoas são bonitas também.

P.G: Do que mais sente falta da Argentina?

F.L: A verdade é que sinto falta da família, embora, eles vivam em Córdoba e eu, há alguns anos, vivo em Buenos Aires. Todos os dias eu procuro dar um ‘oi’ para eles, através do Facebook e do Skype. No geral, já acostumei com os mineiros. E Pude ver o que significa ‘tempo voar’ (risos). Vim para ficar dois meses, a fim de intensificar minha especialização e já se passou um mês e cinco dias.


 

Bate-papo com o colombiano Julian F. Rivera, estudante de sociologia e apaixonado por futebol.

IMG_4908Foto por Ana Paula Gonzaga – O Estudante de Sociologia Colombiano Julian F. Rivera em passeio no Parque Municipal

P.G: Em qual cidade você reside na Colômbia?

Julian: Eu moro em Ibagué e estou cursando sociologia na Universidade Del Tolima.

P.G: O que motivou você a vir para o Brasil?

Julian: Eu vim para o Brasil por causa da Copa do Mundo, sou louco por futebol e torço em meu país para o Clube Atlético Nacional. Espero poder assistir o máximo de jogos que conseguir.

P.G: Como você veio para o Brasil?

Julian: Eu vim de carona. Eu conheço um caminhoneiro que viria para o Brasil a trabalho e pedi a ele que me trouxesse. Quando chegamos ao Amazonas, eu peguei carona com um caminhoneiro brasileiro, que viria para Minas Gerais.

P.G: Onde você está hospedado?

Julian: Não tenho um lugar fixo para morar. Passo grande parte do meu dia aqui nesse parque, e, vendo pulseiras feitas por mim mesmo, para garantir minha alimentação. O lugar é lindo, e já encontrei mais dois colombianos aqui.

P.G: O que você está achando do povo mineiro?

Julian: É um povo gentil, acolhedor e já pensei até em ficar morando aqui na cidade.

 

 

Vamos deixar o Parque limpo?

Por Dilermando Lobo

Você sabe o trabalho que dá para deixar uma casa limpa, não é mesmo? Imagina então limpar um parque do tamanho do Parque Municipal? Dá um trabalho imenso. E essa é a função de várias pessoas: deixar o parque sempre limpo.

Imagem (1)Foto por Ana Paula Gonzaga – Placas avisam e incentivam a deixar o Parque limpo.

E são pessoas como a D. Margareth “Elza” que todo dia levanta cedo para deixar o Parque limpo. Mas ela não está sozinha nesta missão: ela tem a ajuda de mais 80 pessoas, embora quase não as veja. D. Margareth fica responsável por limpar a parte que fica perto da Administração e do Lago dos Marrecos.

E haja paciência para deixar esta área limpa todo dia.

Sempre vem um e joga lixo no chão, muitas vezes ignorando a presença da faxineira. Embora no parque haja várias placas incentivando a manter o parque limpo e orientando sobre como conservar e cuidar do parque, várias pessoas simplesmente ignoram estas placas.

Mas nenhum tudo é lixo jogado no chão e pessoas desrespeitando o parque, pois D. Margareth começa a notar que cada vez mais as pessoas estão se conscientizando da importância de preservar e cuidar do parque.

Você viu como dá trabalho pra deixar o Parque Municipal sempre limpo? Então, faça sua parte: sempre jogue o lixo no lixo.

Imagem (3) Imagem (4)Imagem (2)Fotografias por Ana Paula Gonzaga – Placas e lixeiras de coleta seletiva incentivando a manter o Parque limpo.

 

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